domingo, 7 de setembro de 2008

Informação de qualidade?

Em um desses dias feios pra caralho quando a gente não sabe se enche uma bacia de comes e deita na frente da TV, se pega um livro pra ler uns 10 minutos e acordar umas 2 horas depois babando em cima dele ou se fica olhando para o horizonte tentando pensar em algo que seja, de alguma forma, produtivo, botei na cabeça – imensamente teimosa, que iria postar algo no blog, abandonado há meses.

As primeiras idéias foram de assuntos que envolvem filmes, música, teatro, como sempre. Mas já estava decidido que iria fugir das preferências. Sem olhar telejornais com atenção há uns 2 dias entrei nos mais populares sites de notícias para saber das novidades. Foi aí que encontrei meu assunto. Ou a falta dele.

É espantosa a quantidade de cultura inútil que aparece nestes lugares. Se você quer a notícia de uma tragédia, claro que estará ali bem grande. Mas se quer saber algo mais sutil sobre o andamento do país, boa sorte na busca.
Na primeira página, com letras garrafais somos bombardeados com editorias sobre entretenimento, famosos, acontecimentos bizarros, descobertas mirabolantes e claro, muitos, muitos assassinatos. Uma morte diferente a cada momento.

Lembro que falo dos portais populares. Quem é habituado a se informar pela internet, sabe onde procurar. Mas a grande massa – camada essa que tem o que aparece na TV ou nesses sites de notícias como “coisas verdadeiras e importantes”, vê, sem mais julgamentos, que é por ali o andar da carruagem. É aquilo que vão tomar por base para se acharem “bem informados”. É ali que vão achar refúgio para suas vidas: se ela é ruim, vêm que não são os únicos (se identificando com os índices de violência). Se é boa, agradecem por estarem acima da carne seca. E ainda têm as celebridades que tornam tudo muito lindo como um revoar de borboletas. Reflexões, pra quê?

Como disse o bom Gordon em Batman – O Cavaleira dos Trevas : “Ele é o que merecemos, mas não o que precisamos”. Cai como uma luva no caso da informação de qualidade quando esta vive dentro de uma sociedade como a brasileira.

domingo, 29 de junho de 2008

A tal da política

Estamos em ano de eleições municipais. Eu, como não sou das mais chegadas em política, levei um susto quando soube que este seria o tema do jornal laboratório que fazemos em uma das disciplinas do curso. Um Observatório da Câmara.

Comecei a gostar da idéia quando ficou definido que a reportagem da qual eu participaria era de análise do funcionamento do Programa de Saúde da Família (PSF) em Santa Maria.
Quem mora no centro geralmente não conhece muito dos outros bairros da cidade. Comigo não era diferente. Ainda assim, não foi muito surpreendente passar pela Vila Carolina, visitar vila Kennedy e Caturrita, e ver que a coisa não está das melhores.

Estamos cansados de saber que o sistema de saúde pública não funciona, e que a vida não é fotonovela. Mas no momento em que um compromisso é assumido perante a sociedade, usado como propaganda favorável, ele deve ser respeitado. E estamos vendo que o negócio não funciona como nos anúncios ou nos aplaudidos contratos assinados.

É verdade que conseguimos um bom material para a reportagem e esperamos que seja ponderado pelos que podem fazer algo para mudar a situação. Mas a questão vai bem além da política partidária e discursos de salvação não adiantam de nada.

Outra parte interessante da produção do Observatório foi a distribuição dele por alguns pontos movimentados da cidade. Houve os que recusaram, os que olharam e leram desconfiados, os que pararam e quiseram conversa e os que chegaram dizendo “me dá um jornal aí?!”.

Mas o que mais se percebe é a descrença do povo diante do assunto. As reações mostram o misto de esperança por uma possível mudança, contra o “não quero saber dessas coisas...ninguém deles presta!”

As eleições estão aí e nos resta continuar atentos para as novidades espetaculosas que virão encobrir as velhas e as novas deficiências. Vale a pena ver quem tem a melhor lábia, para ver se depois também vai ter o melhor jogo de cintura.

domingo, 18 de maio de 2008

Santa Maria, aos 150

Santa Maria completou ontem, dia 17, seus 150 anos.
Nos últimos dias 13, 14 e 15, como parte das comemorações, foi apresentado no Theatro Treze de Maio o Musical Imembuy. A lotação esgotou nos primeiros instantes de distribuição dos ingressos. Tive a sorte de conseguir um ingresso de última hora e fui assistir.

A partir do conto de Cezimbra Jacques, Imembuy tornou-se o símbolo de Santa Maria, denominada Ibitory- retan (Terra da Alegria) pelos Tapes e Minuanos que aqui viviam. O espetáculo (não poderia ter outro nome) musical e coreográfico recupera as cenas de amor entre a índia Imembuy e o bandeirante Rodrigues . O guerreiro branco capturado pelas tribos dos Tapes e Minuanos torna-se objeto da paixão da filha do chefe Iapacany.
Imembuy implora a seu pai que não sacrifique o bandeirante porque deseja casar-se com ele. Satisfeito o desejo da filha, Rodrigues passa a chamar-se Morotin e os dois vão viver juntos na tribo. Dessa união nasceu José, o primeiro santa-mariense.
Escrito por Orlando Fonseca e musicado por Otavio Segalla, o Musical Imembuy é dirigido por Carlos Alberto Badke, com arranjos musicais de Ricardo Freire. Teve o apoio da Lei de Incentivo à Cultura.

A vontade era de não piscar. A combinação da música com a dança, do canto doce com o som forte faziam brilhar os olhos, abrir sorrisos. Uma produção grandiosa, surpreendente que mostou a ficção histórica que cerca a cidade. Envolvente. Digna de vários minutos de aplausos de pé. Saí satisfeita, saltitante, encantada.

Fora isto e algumas apresentações junto à Feira do Livro, não fui em comemorações na praça ontem, nem em outras festividades pelos 150 anos.

Ainda assim deixo meus parabéns à cidade. Aconchegante, familiar.
Não esperemos mais do que pode nos dar. Se olharmos para detalhes, abrirmos os olhos para o que temos, pode também ser encantador.

Quando se chega em Santa Maria, chama a atenção o aglomerado de prédios de estilos variados, ruas estreitas, com muitas pessoas.
Quando se inicia uma conversa com alguém daqui, chama a atenção a proximidade com que ela acontece, mesmo em meio à correria.
Quando se passa a fazer parte da correria, chama a atenção a inversão dos papéis. Agora é você quem está andando pelas ruas estreitas e mesmo correndo, parando para dar informações.
Peculiaridades de uma cidade amiga, oportuna.

domingo, 27 de abril de 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

The Beats!

Em meio ao espetáculo em torno do caso Isabella Nardoni, sobre quem matou ou deixou de matar, busca por motivos, revoltas, julgamento popular e exageros da mídia, sexta foi dia de THE BEATS em Santa Maria.

O show que estava marcado para julho passado e que por motivos de saúde de familiares, a banda acabou cancelando o evento, aconteceu nesta sexta no Hotel Itaimbé.
A banda é argentina, formada há 21 anos e consagrada por ser eleita a Melhor Banda Beatle do Mundo, na ‘Beatles Annual Convention’, de Liverpool, Inglaterra.
Foram bastante elogiados por produtores discográficos, e empresários dos Beatles.
O grupo já se apresentou no L.I.P.A, o auditório de Paul McCartney, e no palco principal do relançamento mundial do Yellow Submarine. E ainda conquistou uma grande proeza: gravar no mítico e original estúdio Nº 2 de Abbey Road, E.M.I. de Londres em 2000 – o estúdio onde os Beatles gravaram todas as suas canções.

“Histórico” é o nome desta tour de 2008 onde a banda apresenta uma arte cênica e vocal dividida em nove blocos cronológicos, que mostram a trajetória musical e histórica da carreira dos Beatles. Acontece a troca de instrumentos e de roupas, de acordo com a época correspondente, entre os anos de 1962 e 1970 e momentos históricos mostrados em telões. O The Beats utiliza a única coleção completa de instrumentos musicais e amplificadores existente no mundo usada pelos garotos de Liverpool.
Segundo o Jornal Liverpool Echo, “Você fecha os olhos e imagina ouvir ao vivo os Beatles. Mas para sua surpresa, quando abre os olhos você realmente pensa que está vendo-os, tamanha é a originalidade das artes cênicas e musicais desta talentosa banda Argentina.”
E é verdade.
O tempo de 2 horas foi curto e muitos grandes sucessos deixaram de ser tocados. Mas o salão lotado, com pessoas levantando, cantando e vibrando não deixou dúvida quanto a qualidade do grupo.
Um daqueles eventos em que se vai literalmente correndo ao banheiro, para não perder nada do show e que a cerveja pode esperar até o intervalo.
Uma bela e recomendável oportunidade de sentir-se (quase) frente aos Beatles.


Mas garanto que, não nos corredores de saída, quando todos comentavam sobre o show, mas nas filas de entrada havia grupos que discutiam o futuro do Brasil baseado na menina Isabella. “Mas o que vai acontecer?”, “Oh, meu Deus, como tudo está perdido!”
Coisas de povo com mania de justiceiro.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Boas opções

Em um final de semana digno de quem gosta de cinema, sortuda em sugestões, escolhas e companhias, não posso deixar de, mais uma vez, falar de filmes.
Está certo, acho mesmo que é uma das minhas maiores paixões, ou talvez só seja sobre o que mais goste de escrever. Enfim...

A Hora de Voltar (Garden State, 2004):
Sem nunca ter ouvido falar do filme, me surpreendi. Uma comédia dramática americana, que retrata um ator fracassado de Los Angeles, obrigado a voltar à sua cidade em New Jersey, parece, em um primeiro momento, não empolgar muito. A maneira alternativa com que a produção é feita, brincando com cores e simetria das cenas começa a mudar a história. Personagens divertidos, inteligentes e excêntricos ajudam. O protagonista Largeman (Zach Braff, que aliás também é diretor e roteirista do filme) é repleto de facetas e ganha um brilho especial quando acompanhado da espoleta Sam (Natalie Portman). Os caráter dramático é auxiliado por uma bela e diferente trilha sonora. É uma boa sugestão, cujo estilo me lembrou Juno, vencedor do Oscar de Roteiro Original deste ano.

Fale com ela (Hable con Ella, 2002):
Um pouco atrasada, eu sei. Mas ainda não tinha assistido a uma das mais aclamadas obras de Pedro Almodóvar. Por (vários) comentários, esperava um grande filme. E realmente é. Segue a linha dramática do cineasta, com confusões do dia-a-dia, problemas sociais e temáticas polêmicas. Atores enfáticos e história pesada, acompanhada por uma trilha contendo Caetano Veloso. Sem maiores comentários, é para quem gosta do gênero e estilo de Almodóvar.

P.S.: Eu Te Amo ( P.S.: I Love You, 2007):
Com a reabertura (até que enfim!) de algumas salas de cinema de Santa Maria, fui assistir a P.S.: Eu te Amo. Já tinha ouvido falar. Sabia mais ou menos como era, mas foi surpreendente também. Uma comédia romântica que foge dos clichês. Alterna o romance dramático com a comédia muito rapidamente. É gostosa de se ver. Hilary Swank está ótima como a viúva Holly, bem como Gerard Butler (de 300) que vive o charmoso Gerry. Dá pra chorar, mas também dar muitas gargalhadas. Uma história diferente, delicada, com grandes protagonistas. Vale a pena assistir.